Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Coisas simples: sonho ou pesadelo?

Terça-feira, 17.08.10

 

Ontem à noite vi, num dos canais TVCine, o famoso Surrogates com o Bruce Willis. A ficção científica, quando bem elaborada, inteligente e credível, é um meio criativo de nos revelar tendências actuais que se podem concretizar. Só nesse sentido, do real, do verosímil, estas hipóteses têm sentido para mim. Surrogates levanta diversas questões interessantes, mas não é disso que venho hoje falar aqui.

Habitualmente evito filmes com cenas violentas (e há tantos tipos de violência...), há mesmo filmes em que fecho os olhos ou vou dar uma volta até passar aquela mortandade toda. Mas ontem fiquei presa ao écran, palavra! Surrogates tem algumas cenas violentas, mas não nos apercebemos à primeira o quanto violentas são. E porquê? Porque quando se tornam verosímeis, aproximam-se da realidade, da nossa realidade actual.

No meu caso, transformou-se num pesadelo, perseguições e tiros em cenários urbanos em ruínas.

 

Lembrei-me de um post que li recentemente, O Sonho, no Then Come the Ashes, em que percebemos que o sonho é um pesadelo.

 

E descobri que também o Tio Vânia andou a sonhar esta semana... Aliás, além de inspirado, nada demove o tio Vânia. Nem o desmoraliza.


 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:50

Coisas simples: as traições

Sexta-feira, 18.06.10

 

As traições acompanham-nos pela vida fora e é preciso aprender a viver com isso. A primeira traição, e talvez a maior, deve ser quando percebemos que o nosso olhar infantil idealizou as criaturas em redor e os nossos heróis se transformam subitamente em tiranos, grandes e pequenos, talvez sobrando um ou outro, os mais velhos e mais sábios, um olhar amável e um abraço sincero. Todos os outros nos querem domar ou domesticar.

É certo que também nós começamos a trair, não propriamente porque queiramos trair, mas porque isso passa a fazer parte da nossa lógica humana. A pior traição de todas é abandonarmos os nossos sonhos, as nossas esperanças secretas, e baixarmos as expectativas. Essa é de longe a maior traição de todas.

A maior parte das traições humanas nem são premeditadas. E muitas até nem serão traições propriamente ditas. A comunicação entre pessoas é um mundo de mal-entendidos e equívocos, logo, trata-se de tentar desfazer o mal-entendido e o equívoco, se ainda formos a tempo. É que a maior parte das vezes sofremos desnecessariamente com esses desencontros. E há desencontros que são uma verdadeira pena.

 

Se na vida é assim, imaginem agora na política... Percebem onde quero chegar? Aqui temos o mundo predilecto das traições e nem estou a falar de traições entre políticos, esse então deve ser fervilhante de traições e traiçõezinhas diárias. Não, estou a falar de políticos e eleitores.

E nem me estou aqui a colocar no papel de quem não se engana ou se sente traído quando aposta, no voto, numa determinada equipa ou política. Ultimamente até me sinto duplamente traída. Votei a contar com um cenário e sai-me outro. Não votei noutro porque receava que aquilo viesse a acontecer e fui votar precisamente no cenário em que aquilo que mais receava aconteceu... estão a ver o filme?

Agora tentem por uns segundos posicionar-se na situação de um cidadão comum que votou no actual Presidente. E não é o meu caso. Com o que podia contar? Alguém estável, consistente e coerente. Certo? Eu nem sabia que era católico, nunca me tinha apercebido até vê-lo realmente a acompanhar a peregrinação do Papa desde Lisboa ao Porto, passando por Fátima. Não fosse isso, nem saberia que era católico. Portanto, a condição de católico só sobressaiu, digamos assim, nesse período da visita do Papa, não foi? É, pois, irrelevante que seja católico ou não, a não ser pelas expectativas que reforçou no tal cidadão comum.

Semana seguinte à visita do Papa: uma declaração coerente com um veto previsível, não era? Era. Toda a declaração apontava para o veto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas... surprise! Era só para criar suspense no pobre cidadão comum, gozar com a sua cara de miúdo traído: promulga-se a lei para que o cidadão comum não perca mais tempo com pequenos pormenores como esse de incluir no casamento mais esta modalidade, nada de importante realmente...  (1)


Claro que as "elites políticas" e as "elites culturais" concordam com este paternalismo presidencial. O cidadão comum é um ignorante destas coisas da política, deste pragmatismo, desta estratégia. E se se sentiu traído com a promulgação presidencial, paciência! Se o cidadão comum não está satisfeito com o actual Presidente, pense bem antes de movimentar as águas paradas do regime, é que do lamaçal pode surgir uma alternativa bem pior! Até há pouco tempo também pensei assim, qualquer das alternativas é realmente assustadora.

Mas o melhor seguro de vida do PS é o actual Presidente, os socialistas querem-no lá. O actual Presidente é a sua melhor opção. Já repararam como o PS continuou a governar em maioria relativa como se ainda tivesse maioria absoluta? E o Presidente continuou a cooperar como se o PS ainda fosse maioria absoluta? Forçou a aprovação do PEC ainda com Manuela Ferreira Leite, lembram-se? Acarinhou este "bloco central" para esmifrar o contribuinte à socapa, a 13 de Maio. E, mal o Papa voltou a Roma, promulgou a lei fracturante declarando não concordar com ela.

 

Talvez estes episódios só possam ser devidamente analisados mergulhando na segunda camada da realidade, mas a essa segunda camada já o cidadão comum não tem acesso. Apenas pode deduzir, baseando-se nos dados que tem à mão.

Chamem-lhe "maioria mais estúpida do mundo", "idiotas úteis", "shreks da pseudo-direita" (de longe a minha preferida), o que quiserem, o cidadão comum que não se sente representado pelo actual Presidente e que não quer nenhuma das alternativas, tem o direito legítimo de procurar o seu candidato. Alguém realmente independente da política partidária, da lógica paternalista de consensos medíocres e nefastos como esse "bloco central".

O salto que temos de dar é decisivo: é preciso alguém que respeite o país, os cidadãos, a sua história, o seu futuro possível. Que entenda a política de forma inteligente e abrangente.

 



(1) Nota a 22 de Abril de 2013: Passados quase 3 anos sobre este post, gostaria de referir aos Viajantes que por aqui passam que a minha consciência se expandiu, não sei explicar melhor, tornou-se mais abrangente, é como uma visão do grande plano, como aqueles mapas do Google que podemos distanciar ou fazer zoom do local que queremos observar.

Assim, gostaria de clarificar o seguinte (e vou procurar fazer estas correções nos posts com ideias que entretanto abandonei), não porque a minha opinião tenha qualquer peso na vossa perspectiva, mas porque não quero que a minha voz contribua para equívocos de separação entre pessoas, entre vidas, entre sonhos pessoais:

Hoje aceito, sem quaisquer reservas, qualquer modalidade de casamento que se queira introduzir na lei, excepto evidentemente aquelas que sejam contrárias ao princípio de liberdade e responsabilidade, isto é, a vontade expressa e assumida por cada um e a idade que se convencionou como a adequada para a autonomia necessária a uma tal decisão. É que embora sempre tenha considerado como natural a opção por cada forma de organizar a vida, sendo um direito de cada um escolher como quer viver, não sendo essa liberdade individual intrínseca negociável, em relação ao casamento propriamente dito a minha posição era muito fechada e rígida. Simplesmente não conseguia perceber a importância que lhe atribuíam, ao ponto de o querer adaptar e alargar a essa nova modalidade. Pensava eu na altura que isso o iria desvirtuar. Não percebia porque é que não criavam uma modalidade própria, um contrato próprio com outra designação.

Quando começamos a ver o grande plano percebemos que cada um tem o direito de atribuir importância a um sonho que sempre o acompanhou. É essa a dimensão da liberdade e do respeito por si próprio e pelos outros. Este era um dos meus equívocos que fica aqui esclarecido.

 

 


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:55

Coisas simples: a ironia divina

Domingo, 18.04.10

 

A Europa esqueceu a Islândia mas a natureza tratou de lha lembrar...

 

O abraço fatal do PS já envolveu sociólogos livres e independentes como António Barreto...

 

O Presidente diz que não é grego mas está a ver-se grego para regressar a Portugal...

 

E, finalmente, uma line perfeita para os tempos políticos actuais. A line é do Felix, personagem do filme Encostada às cordas, com a Meg Ryan: raw is workable, rotten isn't...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 19:34

Coisas simples: o silêncio

Sexta-feira, 02.04.10

 

 

Chegámos aqui

não importa como

aqui estamos

 

Uma viagem incómoda,

diga-se de passagem

mas não me quero queixar

 

Respiro fundo

mas o que sai é um suspiro

resmungas qualquer coisa

não digo nada

 

O silêncio pesa

deixo-o pesar

cheguei, é o que importa

 

Sento-me finalmente

num canto de mim

estou sentada

e muito quieta

 

O silêncio tornou-se mais leve

acolhedor

 

lembrar-me de saborear o silêncio

sorrir no escuro a saborear o silêncio

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 01:42

Coisas simples: alucinações auditivas

Sábado, 06.03.10

 

Desde 2ª feira que ando com esta perplexidade. Será que sofri uma alucinação auditiva ou ouvi mesmo esta frase a Miguel Sousa Tavares no final da entrevista a um ex-investigador da PJ com o livro apreendido: Já lhe arquivei a entrevista...?

Será que ouvi bem?

Nesse caso, como posso ter ouvido esta análise ao mesmo jornalista no início do programa: a liberdade de expressão nunca esteve em causa no país, mesmo referindo, com o maior desplante, que sempre houve pressões sobre jornalistas, etc. e tal?

 

Diferente, muito diferente, tinha sido a entrevista ao PM uma semana antes. A primeira do programa Sinais de Fogo.

E Candal, poucos minutos depois, a interromper a Zézinha na TVI24, que o PM já tinha dado o esclarecimento cabal sobre o assunto numa entrevista a um jornalista conceituado... que o assunto já estava encerrado...

 

Bem, nesta 2ª feira o Sinais de Fogo transformou-se em fogueira inquisitorial, pelos vistos. O entrevistado tem o livro apreendido, não pode referir-se ao seu conteúdo,  e é acusado pelo jornalista de vários delitos e nem sequer pode responder... Mas ainda conseguirá dizer: Está a pôr palavras na minha boca... isso não está no livro... Não leu o livro... Não leu o processo...

O jornalista já tem uma tese e trata-se de a impor. Aliás, já tem uma acusação formada, só falta a sentença. Pelos vistos, era arquivar a entrevista. Vá lá vá lá, podia ser pior...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:25

Coisas simples: as emoções

Sábado, 13.02.10

 

Que semana esta! Como é possível que uma pessoa como eu, que já passou há muito a fase da idade impressionável, ainda se deixe envolver pela emoção e entusiasmo, só por causa de um primeiro sinal de vida do cidadão comum, por exemplo?

 

Mas foi mesmo assim. Outras novidades entretanto me emocionaram, por razões diferentes, mas aquele primeiro sinal de vida foi o que me pôs o coração a bater mais depressa e a meter-me a caminho.

 

Se esta iniciativa alterou alguma coisa? Se teve algum impacto? Ainda é cedo para o dizer.

Mas no plano simbólico foi significativa. É um primeiro sinal de vida. De uma sociedade civil que já se dava como amorfa, indiferente, em estado comatoso.

 

Se as opiniões pós-manifestação me impressionaram ou incomodaram? Não, mas deixaram-me perplexa. O que é que os críticos da manifestação entendem por liberdade? A mim não me incomoda nada quem não esteve lá. São tão livres de não estar como eu de estar.

Quanto aos comentários deselegantes e até grosseiros, porque a ironia inteligente não é o seu forte, também não me incomodam nada, a não ser as emoções que revelam, esse subterrâneo de agressividade que os caracteriza: ódio e raiva, por exemplo, são emoções que me desagradam, confesso. 

 

Quanto ao trabalho jornalístico, uma desgraça. No "Público" o texto refere mais de 100 pessoas mas na fotografia aparece apenas uma: um senhor segura um cartaz e por trás vemos a escadaria, a Assembleia e um triângulo de céu azul. Bonito! Quem não passou em frente do grupo, isto é, a maior parte dos leitores do "Público", ficou com a ideia, erradíssima, da geração da maioria dos participantes da manifestação, por exemplo. E esse seria o dado essencial da manifestação. Pois é, falharam no essencial: a maioria dos participantes pertence às gerações pós-revolução de 74. Eu apontaria mesmo para uns 80%, os manifestantes nascidos nos anos 70 e 80. Isto já diz muito do significado da manifestação. Uns 15%, das gerações que eram crianças ou adolescentes (o meu caso) na revolução de 74. E os tais 5% da geração representada pelo senhor da fotografia. Que rico jornalismo o do "Público"! 

 

Aqui também se iniciou um novo conceito de manifestação: deixa de ser a pose ou o slogan, para ser um encontro descontraído de pessoas que partilham uma ideia e uma mensagem. Essa ideia e essa mensagem é transmitida através de uma petição que é entregue no local adequado.

A presença das pessoas ganha outro significado: estão lá, sabem porque estão lá, e isso lhes basta. No final, a promotora da petição agradece a presença de todos e batem-se palmas.

Esta cultura do encontro, numa ideia e numa mensagem que une um grupo heterogéneo de pessoas, esta cultura da amabilidade e do respeito pelas diversidades, é uma lufada de ar fresco para quem viveu numa cultura de autêntica divisão por subgrupos, essa pressão insuportável e medíocre de ideias feitas e de preconceitos.

Esta cultura do respeito e da amabilidade na diversidade é a adequada numa democracia de qualidade.

 

Penso ter apontado o essencial desta petição e desta manifestação: há aqui um salto cultural e geracional. É esse, a meu ver, o seu primeiro significado.

Nasce nos blogues e no twitter (o que me agrada pensar que o José Manuel Fernandes faz muitos mais estragos à cultura da seita das pressões, no twitter, do que fazia no "Público"!), nesse espaço de liberdade, num universo paralelo ao dos jornais e das televisões, onde a liberdade está cada vez mais ausente.

Outro significado: não há qualquer hipótese hoje em dia de manter esta cultura da mediocridade. Pode levar mais tempo do que desejaríamos, mas este é o primeiro sinal desse salto cultural e geracional, queiram ou não admiti-lo.   

 

Recentemente um amigo, numa conversa animada sobre séries de televisão, ao ver quais as minhas preferidas, referiu de forma certeira: Gostas de ver resultados rápidos.

É verdade, nunca apreciei séries como os Perdidos, que ele acompanha desde o início, por exemplo.

O nosso Alan Shore (Boston Legal) resolve os casos em tribunal e ficamos logo a saber o veredicto. Mesmo na série Flashforward vamos tendo alguma informação que nos permite ir compondo o puzzle final. E agora, na Lie to Meos resultados estão logo à vista, na observação científica das reacções faciais e corporais das pessoas. Vale a pena ver. A sério! Já aprendi uma ou duas reacções que revelam a mentira, por exemplo. É muito útil. Também já consigo identificar o ódio, a raiva, o desprezo, apenas pela expressão facial.

 

Bem, sobrevivi a esta semana e é isso que importa.

 


Correcção estatística: Depois de ver alguns vídeos da manifestação, talvez deva corrigir aqui as minhas primeiras estatísticas. Embora não se trate de nenhum estudo sociológico, gosto de analisar os fenómenos e aqui a representação por gerações tem um significado para mim.

Assim, talvez a minha geração e a imediatamente posterior, isto é, as que eram crianças e adolescentes na revolução de 74, estejam melhor representadas do que inicialmente contabilizei: em vez dos 15%, aí uns 30%. Mas ainda assim, as gerações pós-revolução de Abril são as que compareceram em maior número.

A meu ver, a distinção direita-esquerda é secundária. Porquê? Porque ninguém tem o monopólio do respeito pela liberdade. Essa consciência é individual, não é colectiva. Começa em cada indivíduo. Isso é que determina como se vai comportar no colectivo.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:12

Coisas simples: a chantagem

Sexta-feira, 05.02.10

 

Das primeiras aprendizagens precoces está a famosa (e embaraçosa) birra. Os pais que cedem a primeira vez a esta estratégia já sabem o que os espera: vendo que funciona, a criança recorrerá de novo a ela para obter aquilo que quer da forma mais fácil (embora menos digna).

 

A chantagem é esta estratégia na versão adulto imaturo. Se o opositor cede a primeira vez vai ceder próximas vezes porque, uma vez bem sucedido, o chantagista tem ali um filão. É uma estratégia muito primitiva e precoce do desenvolvimento humano, pois é a forma mais fácil e cómoda (embora menos digna) de conseguir o seu objectivo.

 

É por saber que o chantagista, uma vez bem sucedido nunca desiste, e voltará sempre à carga, que nos livros policiais é eliminado logo no primeiro capítulo. Digamos que é o principal candidato a assassinado.

Há, no entanto, chantagistas inteligentes e outros pouco inteligentes, uns mais elaborados outros mais básicos.

Um exemplo de uma chantagem criativa é a da criada de quarto (Jane Birkin) de uma milionária americana que chantageou o assassino, em frente do próprio Hercule Poirot (Peter Ustinov)! A grande lata! É das chantagens que já vi em livros policiais (e este Morte no Nilo é dos mais emocionantes!) mais arriscadas e ousadas! É claro que a rapariga aparece degolada pouco depois e só então Poirot começa a juntar as peças e a recordar as suas respostas às perguntas que lhe tinha feito.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:16

Coisas simples: os problemas

Segunda-feira, 01.02.10

 

Os problemas. E como solucioná-los. Pois aqui vai, através de um texto de Mário Crespo, repescado aqui no Pau para Toda a Obra, mas também n' O Cachimbo de Magritte via Delito de Opinião, que não viu a luz dos escaparates no JN.

É um texto simbólico e surge no timing perfeito. Porque nos fala de "problemas" e como "se resolvem", sendo o seu autor, ele mesmo, e o seu texto, mais um "problema" a "ser resolvido". Pessoalmente, já estava à espera de uma "solução" destas, tratava-se só de uma questão de tempo e de oportunidade.


" Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) no 'JN'.  "

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:57

Coisas simples: o riso

Terça-feira, 26.01.10

 

Se um dia destes morrer a rir, os principais suspeitos são os elementos do grupo Delito de Opinião, sobretudo o seu principal humorista, João Carvalho.

Aqui, em mais um dos seus delitos:

 

 

" Um ano depois: o Bo(m) pensador

 

 

Cheira-me que isto dos dias tranquilos por aqui  estão a acabar  — pensa Bo, com aquele seu faro tão português. Ainda por cima, recebi de Massachusetts um osso difícil de roer...  "

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:26

...

Sábado, 15.08.09

 

 

O que mais nos enternece nas pessoas

são os pormenores

os pequenos gestos

 

O que nos fica delas

quando se ausentam

as coisas mais simples

 

 

 

 





("Do tempo das surpresas", Agosto, 2009)

  

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:46








comentários recentes



links

coisas à mão de semear

coisas prioritárias

coisas mesmo essenciais

outras coisas essenciais

coisas em viagem